Um novo papel para o CFC

Na nossa sociedade o trânsito é um grande, um imenso laboratório, no qual estamos inseridos, no qual temos uma participação importante, decisiva e obrigatória, compulsória, não havendo como dele fugir ou eximir-se; Mesmo os que tenham alguma limitação física não escapam, mesmo os que simplesmente ignorem a realidade, não estão imunes ao fenômeno trânsito, nem sua participação é menor; Todos nós interferimos no trânsito, seja como simples pedestre, como passageiro, como ciclista, como condutor de um veículo; Não há os simplesmente espectadores, que não tenham nenhuma responsabilidade, que não desempenhem nenhum papel, numa sociedade cada vez mais urbana e mais vorazmente motorizada; O trânsito é um imenso palco; Não há espectadores, não há a platéia e os atores; todos nós somos atores; Mas, a pergunta que não quer calar é preocupante: Estamos preparados para desempenhar nosso papel? Conhecemos e temos ensaiado nosso papel? Sabemos e cumprimos nosso papel?Ao menos, temos consciência de nossa qualidade como atores? Parece que não;

O aprendizado para a vida serve-se de três grandes canais, que são a família, a escola e a sociedade; Como o fenômeno trânsito é relativamente recente e, sobretudo com a urbanização da sociedade, o questionamento que poderíamos dirigir à família é a o que ela têm nos repassado, qual a “técnica para dirigir” que nossos pais nos têm repassado e, sobretudo, ensinado: pouco, ou melhor, nada, em muitos casos; As grandes lições, os valores, os limites, a ética, o amor à verdade, sem dúvida, são lições que normalmente nos são transmitidas, Mas, todo o resto, como aprender? Como copiar as atitudes, como imitar um comportamento que não pudemos observar? Sim, a imitação é uma grande forma de aprender: Diz o velho ditado, que “se uma verdade comove, o exemplo arrasta”; Mas, como tivemos poucos bons exemplos, devemos desistir, então?

O novo modelo imaginado para preparar os futuros condutores passa pelo CFC, Centro de Formação de Condutores; Forçoso é reconhecer que os CFC tem sim conseguido fazer com seus alunos venham a obter a habilitação, com competência e rapidez; Afinal, em 30 horas aula, eles devem conseguir com que um incauto, um “pouca prática” seja considerado e receba a titulação de um pianista, um erudito, um “especialista genérico em sair de todas as situações no trânsito”; Sim , o candidato passa de aprendiz a mestre, em muito pouco tempo; Seria o mesmo que imaginar que todos os condutores podem ser um ator como Paulo Autran, uma Fernanda Torres, apenas para citar dois de nossos grandes atores; Falando francamente, com 30 horas-aula, que são a exigência do conteúdo teórico para um aluno de CFC, é possível formar algum tipo de profissional? Talvez dê para formar um ajudante de pedreiro, um auxiliar de faxina, apenas para citar dois exemplos de atividades simples; E ainda há os que acham que essas 30 horas-aula são enfadonhas, são um desperdício de tempo; São esses pobres coitados irão alimentar as estatísticas de acidentes e de mortes. Assim como o ensino médio têm se preocupado em fazer com que seus alunos venham a obter aprovação no concurso vestibular para a universidade, nossos CFCs têm basicamente o objetivo de fazer com que os seus alunos venham obter a Permissão para Dirigir; A verdadeira habilitação para conduzir fica um pouco mais à frente;

O papel do CFC, deve merecer uma reflexão; Afinal, os CFCs estão conseguindo formar efetivamente os novos condutores? Não seria interessante que para formar um profissional que necessita de tantos predicados, tantas virtudes houvesse um pouco mais de tecnologia nesse aprendizado? Hoje, qualquer criança é uma expert em jogos eletrônicos e a informática está em nossa vida de forma permanente, mas, por que não agregar na formação do candidato a condutor, por exemplo um simulador de direção, no qual seja possível medir, mensurar o tempo e a reação adequada frente a um sinal de trânsito? Sim, porque essa reação adequada e eficaz frente aos imprevistos vai ser decisiva para o condutor, a cada dia, a cada hora; E, a percepção de distância, de profundidade, da distância lateral, da velocidade dos outros veículos? E o efeito da frenagem? Não seria o caso de mudar o nome da atividade de CFC para Centro de Habilitação de Condutores? Sim, porque qualquer atividade profissional mede, mensura o grau de habilidade com que o pretendente se apresenta para exercer a atividade; E, para concluir, não seria o caso de querermos que os CFCs tenham um COMPROMETIMENTO com o futuro condutor ao invés de um simples COMPROMISSO para que ele obtenha a habilitação?; Para o primeiro, há necessidade de que os erros, as falhas, as imperfeições do candidato sejam vistas, analisadas, trabalhadas e corrigidas; Para o segundo, basta que ele obtenha a Permissão, como objetivo;
Site: www.sitedotransito.com.br
e-mail: sergioportao@hotmail.com

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