O fim de um motor

1. O motor refrigerado a ar teria sido encomendado por Adolf Hitler ao projetista Ferdinand Porsche, vinha com a solução de uma dificuldade, pois entre os planos do dirigente nazista estava o domínio do norte da África, com seus desertos e a escassez de água; Existiram muitos motores refrigerados a ar, mas a refrigeração a água mereceu um maior desenvolvimento e é considerada mais eficiente;

2. Chamado de “boxer”, pois o movimento de seus pistões guarda alguma semelhança com os movimentos dos punhos de um pugilista, esse motor é o último dos motores refrigerados a ar em todo o mundo ainda fabricado em série e sendo usado para equipar a nossa velha Kombi, sairá de linha, no próximo mês, encerrando sua fabricação e marcando o fim de uma era;

3. A “causa mortis” do último motor está, sobretudo no alto volume de poluição que seu funcionamento provoca, um verdadeiro “dinossauro”, remanescente do tempo em que não havia a preocupação com a questão ambiental; Em todo o mundo há programas governamentais de controle gradativo dos níveis dos gases poluentes resultantes da queima de combustíveis, sobretudo os fósseis, que respondem por uma parcela muito significativa das emissões, sobretudo o monóxido de carbono;

4. O PROCONVE – Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores, iniciado no Brasil para os veículos fabricados a partir de 1992, entra em 2006 na sua fase Cinco, em que não mais é possível a produção de veículos que emitam determinados índices de emissões poluidoras; As fases são uniformes, em todo o mundo, mas enquanto nós brasileiros estamos entrando na fase Cinco, em 2006, a Europa já vai algumas fases adiante, tendo iniciado muito antes, como a Alemanha, que iniciou o seu programa na década de 50, e desde aquela época continua fazendo inspeção veicular anual e ainda reprovando nela quase 20% de sua frota; Dá para imaginar a que distância estamos.

5. Ficará na saudade de muitos aficcionados o ronco dos motores de “fuscas”, “brasílias” e “kombis”, que continuarão bravamente a andar em nossas ruas, mas o motor sairá de linha de produção; o novo motor será um bi-combustível, e a montadora anuncia a produção de uma série de 200 unidades da kombi, na cor prata, marcando o fim da produção do último motor refrigerado a ar e também do design atual do veículo, que será re-estilizado.

6. Ao mesmo tempo, na Inglaterra, a despedida do último motor refrigerado a ar e produzido em série no mundo, provoca um movimento grande de aficcionados e colecionadores interessados na raridade, que podem ainda optar pelo modelo, com o “jurássico” motor e ainda com o opcional da direção no lado direito.

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Site: www.sitedotransito.com.br
Livro: Coletânea de Legislação de Trânsito

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